Meu pai tinha uma gaita de boca que era uma raridade, folheada a ouro, que ele ganhou do pai dele. Ela ficava em cima da estante da sala e eu era louquinho por ela. Mas ele vivia dizendo que eu não podia nem tocar nela.

Quando meu pai saia de casa eu corria pra estante e pegava a gaita. Ficava soprando tirando notas barulhentas e desgraçadas. Ficava atento na janela, quando eu via uma sombra, já guardava a gaita no mesmo lugar.

Um dia meu pai me surpreendeu tocando a gaita dele. Ficou uma arara. Me xingou de tudo quanto é nome.
Mas depois, vendo a minha tristeza, ele sentou ao meu lado e disse:
– Moleque. Quando eu morrer, essa gaita será sua…

1 faca de cozinha e 10 segundos depois… a gaita era minha.

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