Eu sempre tentei ser bom com as pessoas. Sempre achei a cortesia e a generosidade essenciais para o bem da sociedade.
Na igreja aprendi desde cedo a fazer ao próximo o que gostaria que fizessem comigo.
Faço doações ao hospital do câncer. Adotei um garoto de rua. E sempre que posso vou ao asilo aqui da cidade visitar os velhinhos e doar cestas básicas.

O problema é que depois que a gente cresce, começa a notar que a igreja não faz merda nenhuma pra ajudar aos necessitados.
Todas as noites eu ia à igreja. Passava pela avenida Vicente Almeida e via mendigos enrolados em trapos, se coçando e cagando nas esquinas. E então eu chegava àquela igreja imensa e dourada. Via o padre, cercado de luxo, taças de ouro e castiçais de prata, falando pras pessoas temerem e ser submissas a Deus. Só.

Me revoltei. As igrejas não faziam nada pelos miseráveis!

Resolvi que eu mesmo deveria fazer alguma coisa para ajudar as pessoas.
Iniciei uma campanha do agasalho. Coloquei cartazes procurando voluntários.

Tive a idéia de parar à noite na Avenida Almeida com a minha Kombi e entregar as roupas e os cobertores. Além disso eu levaria um latão enorme com um sopão bem forte para distribuir aos desabrigados.
Claro que isso não iria resolver o problema, mas pelo menos alguém estaria fazendo alguma coisa.

Todo mundo adorou essa idéia, acharam lindo. Apareci até no jornal. Mas ninguém se oferecereu pra me ajudar.

Chegou o dia da estréia do “Sopão Voluntário”, estacionei a Kombi lá por volta das 22h. Comecei a chamar os mendigos. Eles estavam meio desconfiados, mas começaram a chegar.

Entreguei um cobertor e servi um copo de sopão à uma senhora e ela sorriu sem dentes.
– Deus lhe abençõe, meu filho, muito obrigado! – disse ela.
É uma sensação muito boa, nunca havia sentido isso na vida.

Servi mais sopão e entreguei mais agasalhos.
Minha mulher tinha feito um grande bolo de fubá que também comecei a cortar e servir a eles.

Então um velho barbudo sarnento e mais três vieram e me empurraram pra dentro da kombi, pegaram todas as roupas e cobertores e saíram correndo. Foi horrível.
Depois de um tempo eles voltaram com mais uns caras. Uma gritaria só. Eles queriam levar tudo. Mandaram eu sair da perua que eles iam levar também!

Era isso que eu recebia por querer ajudar!
Eu contei uns 10 maltrapilhos desprezíveis. Estavam todos na porta gritando palavrões e mandando eu sair logo.
Fiquei com muita raiva. Então eu chutei o latão de sopa, despejando aquela água fervente em cima daqueles mendigos nojentos filhos duma puta!

Cinco daqueles malditos caíram no chão gritando e rolando, com os couros dos braços e da cara caindo, se despelando.

Os outros vieram pra cima. Puxei a faca de bolo e pulei em cima deles. Minha faca de bolo é muito boa, tem um design especial para fatiar pães, doces e bolos com maior leveza e sem esforço.

Minha faca de bolo

Você também vai querer uma dessas.

Mas aquela noite eu fatiei foi carne de mendigo ladrão!
Quando eu pulei, caí em cima do velho barbudo. Me ajoelhei sobre o seu pescoço e meti a faca de bolo em seu olho tão fundo e com tanta raiva, que antes de morrer ele peidou.

Me levantei e corri para o próximo. Peguei ele pelos cabelos da nuca e passei minha faca no pescoço fazendo verter sangue e sujar o agasalho que ele tinha roubado.

Os outros três me rodeavam. Um deles tinha um pedaço de garrafa quebrada na mão. Ele avançou, me golpeou cortando meu braço e se afastou com sorriso maroto.
Quando ele veio de novo eu me abaixei e finquei a ponta da minha faca bem no meio do saco dele.
Ele caiu sangrando com as mãos entre as pernas, eu cuspi em cima dele e cortei seu pescoço.

Os outros dois começaram a correr. Então eu busquei no chão o latão de sopa virado e joguei nas costas deles.
– Vem aqui seus viado. Não querem minhas coisas? Venham roubar! Tenho 800 reais na carteira lá dentro da perua! Vão lá pegar!

Eles pararam, falaram alguma coisa um pro outro, combinando minha morte, e correram em minha direção. O primeiro veio tentando dar trombada e me derrubar, mas eu dei uma rasteira nele e cravei a faca de bolo em seu coração!

O outro arregalou os olhos e correu pra dentro da perua. Tentou fechar a porta, mas eu coloquei meu pé, empurrei com força e entrei. Esfaqueei ele 20 vezes, xingando o maldito de ladrão vagabundo miserável morto de fome filho duma vaca INGRATO!

Joguei o corpo pra fora da perua, peguei meu latão de sopa e fui embora dali. A polícia não iria nem se incomodar com a falta de uns indigentes… Talvez até agradecessem se soubessem que fui eu.

Com isso eu aprendi a não duvidar da Santa Igreja Católica. Agora eu entendo perfeitamente porque os padres ignoram os miseráveis mal-agradecidos. E me arrependo todos os dias por, momentaneamente, ter perdido a fé no padre e na Santa Igreja.

Perdão meu Deus, perdão!

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