Isso aconteceu na época em que o Palmeiras tava na segunda divisão.

Era umas 11h da noite e eu tava no boteco da esquina de casa, tomando a nona Schincariol meio quente do dia com uns amigos. Aquela merda de lugar tava falindo. Estávamos falando da situação infeliz do Palmeiras e reclamando por não ter nenhum palmeirense no bar para atormentarmos.

Foi então que chegou o meu vizinho palmeirense e sentou no balcão. Ele parecia ter tido um dia péssimo. Estava com uma cara de bosta, acabadaço mesmo.

Ninguém sabia que ele era palmeirense, só eu.

Eu não tinha almoçado nem jantado e a cerveja quente tava fazendo efeito rápido. Então eu levantei, bati com força no ombro do meu vizinho e gritei: 

– Olha um palmeirense aqui! Porcão fudido!

– Perdeu de 3X0 ontem hein seu bosta! 

A cambada do bar caiu na gargalhada. Ele me olhou com cara de poucos amigos, mas não falou nada. Continuou tomando sua pinga, que pela cara dele não parecia não ser a primeira que ele bebia.

– Parece um porco mesmo hein! Gordão fiadaputa! – eu gritei.

O dono do boteco esticou a zoação, pois era corintiano doente. Eu bati nas costas do meu vizinho de novo:

– Aê porcão fudido! Lazarento! – bati de novo.

E os bêbados caindo de rir. Por causa da cerveja também.

Meu vizinho não aguentou e foi embora.

A gente continuou rindo da cara dele. E pedimos mais uma rodada parar brindar em nome dele!

Depois de passados 10 minutos a gente ouviu na porta do boteco um berro de louco:

– SEUS FIADAPUTA AGORA VOCÊS VÃO VER QUEM É O FUDIDO!!! 

Meu vizinho palmeirense tinha voltado com um facão enferrujado na mão! 

Ele avançou com fúria para cima de todos os bêbados do bar e principalmente de mim.

O dono do boteco foi o primeiro. Levou um facãozada na cabeça e sangrou até morrer.

Os mais bêbados quase não conseguiam levantar da cadeira e nem tiveram chance de se defender. O desgraçado cortou a barrigada deles. O Fernão que me devia 10 reais teve a garganta cortada sem dó. Que merda!

Eu, bebaço, engatinhei por baixo do balcão, só ouvindo o maluco gritar:

– CADÊ AQUELE FIADAPUTA? É ELE QUE EU QUERO! – seguido do barulho do facão cego batendo em cima de uma mesa virada. 

Eu não sei se foi pelo medo e pela adrenalina ou pela bebedeira que eu me caguei todinho. Mas consegui correr até a porta do boteco. Ele não me viu porque tinha ido me procurar nos banheiros.

A polícia chegou logo depois de eu ter saído correndo daquele lugar. A dona Dora, uma velha fofoqueira vizinha nossa, sempre ligava pra polícia por causa da baderna que fazíamos no boteco até altas horas.

Corri pra casa, peguei meu carro e saí da cidade para evitar maiores transtornos pro meu lado.

Depois dessa parei de beber. Mudei de vida. Encontrei o meu caminho em Jesus.

Hoje eu sou pastor da Assembléia de Deus e atendo de segunda à sexta sempre às 14 horas. 

PS: Depois eu li no jornal que meu vizinho tinha sido preso.

Palmeirense tem é que se foder mesmo!

Uma resposta »

  1. roger disse:

    Hahaha
    Pastor cuzão meu!
    Mas palmeirense tem q se fuder mesmo!
    sahhaushsaushauah

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