Oi, meu nome é Alessandra e a história que eu vou lhes contar é real, uma tragédia que aconteceu comigo há alguns anos.
Era fim de tarde e eu fui na floricultura fazer uma linda loucura de amor.
Comprei um botão de rosa para entregar a um rapazote pelo qual eu estava apaixonada.
Pensei em pedir para a moça da loja entregar a flor a ele, mas ela fazia o tipo gostosona, estava usando minissaia e tinha olhos verdes. Melhor não!
Já era a hora do ônibus dele passar e ele ir embora para casa, por isso eu tinha que correr. Fui lá, me ajeitando as roupas, me perguntando se estava com o sovaco peludo, tentando arrumar a franja enquanto corria. Mas quando cheguei lá, o ônibus já tinha passado e com ele o meu quelido.
Fui embora pra casa levando a flor para, quem sabe, continuar com a idiotice no dia seguinte.
Quando cheguei, tive a idéia dar a rosa de presente-emprestado à minha imagem de Nossa Senhora Aparecida que tinha no quarto. Fazia tempo que eu não a agradava.

E mesmo a flor não sendo para ela, achei que minha santinha ficaria feliz e me protegeria.
No dia seguinte, quando estava perto da hora do ônibus dele, eu fui lá na santa e peguei a flor de volta.
Tamanho foi meu susto quando ouvi uma voz aguda vociferar:
- SUA BISCATE!
Olhei em volta tentando descobrir de quem era a voz e então percebi que vinha da imagem da Nossa Senhora.
- É, então quer dizer que a flor não era pra mim!? Que filha da puta você é!
- Você fala! – Era muito óbvio, mas foi a única coisa que consegui pensar na hora, de tanto pavor.
- Eu intercedendo por você a sua vida inteira e você me faz uma dessas por causa de caralho! Por causa de caralho!!! Fica biscateando se oferecendo na rua e não pode me agradar uma única vez. Puta!
- Mas minha Nossa Senhora quelida, eu não…
- Fica quieta sua piranha! – gritou ela.
E então a Nossa Senhora ajeitou seu sagrado manto azul e pulou no meu pescoço.
- Vou te matar, sua vadia!
Eu corria pela casa com a santa pendurada no meu pescoço, me esgoelando com toda a força, eu quase não conseguia mais respirar.
Foi então que minha tia Raquel chegou, arrancou a Nossa Senhora do meu pescoço e a jogou na parede, fazendo se despedaçar.
- Graças a Deus! – eu disse quase sem fôlego.
Minha tia me deu a maior bronca:
- Menina, eu já falei pra você que esse negócio de adorar imagens não é coisa de Deus! Você precisa se converter urgentemente à verdadeira religião.
E foi assim que eu comecei a frequentar a igreja Assembléia de Deus. E agora que encontrei o verdadeiro caminho do Senhor, Ele me abençoou com um marido pastor bem de vida e uma linda casa com três carros na garagem. Como o Senhor é maravilhoso, né?
Glória a Deus!
Alessandra Pagliato.
Escrito por Pessoa Aleatória 


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