Nunca Aposte Seu Cu Com o Diabo

2 Janeiro , 2009

 

Meu irmão mais velho, Tobias, era um rapaz forte, cheio de vida e seria o orgulho da família se não vivesse de bebedeira e apostando.

Essa sua tendência de apostar o tempo todo era o pior de tudo. Todas as suas afirmações eram reforçadas por apostas. 
- Aposto o que você quiser que o Timão vai ganhar hoje! – dizia ele – Aposto tudo que tenho que aquela velha tuberculosa não dura mais um ano!

Então ele pegou o hábito horrível de dizer que apostava o cu com o Diabo. Era a expressão que ele mais gostava e deste então ele só usava essa para suas apostas insólitas e freqüentes.

Lembrei que na minha infância li um conto sobre um jovem que fazia apostas, um pouco mais decentes, com o Belzebu.
E comentei isso com meu irmão, tentando avisá-lo de que a história não acabava bem. 
Em resposta ele apenas apostou o cu com o Diabo que eu estava mentindo.

Um dia estávamos voltando de uma festa, quando meu irmão parou o carro no sinal vermelho e um homem segurando um revólver nos abordou.
Ele nos mandou entregar relógios, carteira, correntes e tudo mais de valor, mas meu irmão apenas riu, arrogante e disse:
- Aposto o meu cu com o Diabo que essa arma nem é de verdade! hehe

A arma era de verdade e meu irmão levou um tiro. Ficou vários dias no hospital. Mas nem depois disso ele parou de apostar seu rabo com o coisa ruim.

Ele continuou a viver no bar bebendo e apostando. Não sei qual dos dois vícios ele alimentava mais.
Em 2003 meu irmão gritou bem alto pra todos do boteco apostando o cu com o Diabo que o Saddam Hussein nunca seria encontrado. Os amigos dele, de saco cheio, começaram a levar a sério e cobrar suas apostas. Ele também apostou que o Raul Gil ia morrer em 2004. Apostou que a Xuxa ia pra Band, que o Santos ia ser campeão da Libertadores e, em 2005 ele apostou que o novo Papa seria  negão.

Parece até que o Diabo estava de traquinagem e deve ter mexido seus pauzinhos pra ferrá-lo, pois Tobias perdeu TODAS as suas apostas!

Como ele dizia que um homem que não paga suas dívidas não era digno, para cada aposta que perdia, Tobias dava o cu pra alguém, achando que assim pagava sua dívida com o Tinhoso.

Muitos diziam que ele apostava sabendo que ia perder porque tinha pegado outro vício: o de dar o cu. Mas eu conheço meu irmão e sei que ele nunca apostava pra perder.

Acabou que de tanto “pagar apostas” meu irmão contraiu Aids. Ficou cada vez mais fraco, foi secando e acabou morrendo no fim do ano passado. E finalmente o Diabo vai cobrar suas apostas comendo seu cu no Inferno. 

Nosso Natal nem foi triste, pois meu pai tinha deserdado Tobias, que já estava com fama de viado na cidade inteira. Fizemos uma grande ceia natalina, estávamos todos felizes, a ovelha negra da família se foi. Agora não sou mais conhecido como “o irmão daquele aidético”, graças a Deus. 

Porém, mesmo com ninguém ligando a mínima pra sua morte, meu irmão deixou uma lição para todos nós:
Nunca aposte seu cu com o Diabo.


Manias em conflito

2 Janeiro , 2009

Oie, meu nome é Paula, tenho 27 anos e estou tendo problemas com minhas manias.

Todo mundo tem suas manias.
Eu tenho uma mania bem comum, mas que é horrível. Eu adoro roer as unhas. Eu vivo devorando elas e por isso meus dedos sempre estão em carne viva. Já tentei parar, mas quando me distraio, lá estou eu roendo. Dizem que isso é coisa de gente desequilibrada.

Outra mania que eu tenho é de sempre tomar banho depois de cagar.
Quando vou fazer cocô, eu já vou pro banheiro pelada e levando roupas limpas. Cago pelada e depois eu levanto do vaso e  já vou pro chuveiro.
Vocês já devem ter feito isso: quando a gente tá tomando banho pós-cagada, a gente passa a mão na bunda pra lavar e ela tá cheia de merda mole, aí quando a gente tira a mão, tá toda suja. Então ficamos esfregando a bunda até a merda escorrer toda  pelas pernas e ir pro ralo.

Só que sempre fica bosta debaixo das unhas. Não é terrível de tirar merda das unhas? Dá um trabalho infernal.
Aí quando me distraio eu começo a roer unhas e acabo comendo bosta.